Poços de Caldas, Palace Hotel, terceiro andar, apartamento 522. Este lugar de cerca de 100 metros quadrados guarda muita história!

Palace Hotel, face para o Parque José Affonso Junqueira

Este é o apartamento em que o ex-presidente Getúlio Vargas se hospedava quando vinha a Poços. E suas vindas não eram poucas. A cidade se tornou a queridinha de muitas autoridades, artistas, e da elite burguesa, a partir da década de 1930. (ver publicação COMO O TERMALISMO TRANSFORMOU POÇOS DE CALDAS)

O apartamento está na melhor localização do hotel, com vista para o Parque José Affonso Junqueira. Ele conserva todos os móveis da época, e é composto por dois dormitórios, banheiro com piso, azulejos, louças da época, e uma ducha circular, como encontramos nas Thermas Antônio Carlos. Há também uma sala, em que Vargas trabalhava, e com um detalhe: é idêntica à sua sala de trabalho no Palácio do Catete. Há até uma porta falsa. E a razão é simples: para parecer nas fotos oficiais que ele estava trabalhando no Rio de Janeiro, capital do Brasil na época.

Quarto de Getúlio Vargas
Banheiro do apartamento
Sala de trabalho de Getúlio Vargas, com a porta falsa

Falsa também, era uma das paredes de seu dormitório (que não existe mais), que dava acesso ao apartamento ao lado, onde se hospedava ninguém mais, ninguém menos que sua amante, conhecida apenas como Rosa, que era de Poços. Talvez, isso explique seu gosto por vir à cidade. Talvez, em partes. Poços de Caldas, naquela época, fervia com os cassinos, balneários, festas, shows e espetáculos, além de oferecer uma bela natureza e um clima agradável no verão, em comparação ao calorão do Rio.

O guarda-roupas está na parede onde havia a passagem secreta

O hotel é tombado, desde 1985. Mas este apartamento, em especial, preserva tudo como era na época de Vargas. Os únicos itens trocados, foram os colchões, pois ele ainda recebe hóspedes. O valor da sua diária? R$1.500, em baixa temporada, e acomoda até quatro pessoas. No fim do ano de 2022, o pacote de Reveillón custava a bagatela de R$10.000.

Sentada na sua cadeira de trabalho, pensei em todos os momentos em que ele esteve ali, despachando documentos e vez ou outra saindo na sacada, em busca de uma paisagem deslumbrante.

A qualidade dos móveis e da arquitetura, assim como o tamanho de tudo, impressiona. Ao passar pela porta, parece mais que entramos em uma máquina do tempo. O tempo do glamour, o tempo dos detalhes, o tempo em que ali se encontrava uma elite buscando manter seu status. Algumas coisas mudam. Outras, não.

Talitha Castro

Sou Administradora e Guia de Turismo, nascida em Poços de Caldas, Minas Gerais e, apaixonada pela exuberância natural, cultural e patrimonial da região.

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